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27 março 2006

O Benfica-Barcelona, o Sporting e o FQP ... e pelo meio uns circuitos eléctricos

Pois é, hoje é véspera daquele jogo Benfica-Barcelona e era inevitável esse tema ser trazido para a sessão do clube pela Gaby uma benfiquista ferrenha. Ela queria pintar uma faixa sobre o seu SLB (que por acaso também é meu). Foi díficil não aderir e assim se transformou, por um dia, o clube de ciência num clube de desenho e pintura de faixas. Claro que os simpatizantes dos rivais Sporting e FQP também tiveram a sua oportunidade!! Pelo meio ainda houve tempo para construir alguns circuitos eléctricos. E digo-vos foi muito interessante principalmente pela oportunidade de uma vez mais me confrontar e aos miúdos com algumas concepções sobre corrente eléctrica. Por coincidência um dos circuitos que construímos tinha duas lâmpadas em série. Acontece que a lâmpada que estava mais próxima da pilha apresentou uma luminosidade maior do que a outra. Surgiu de imediato a explicação: "a outra lâmpada dá menos luz porque a energia gastou-se na primeira lâmpada que dá mais luz porque está mais perto da pilha". Não pensemos que esta explicação surgiu de miúdos muito novos, alguns dos que lá estavam nesse dia já andam pelos 15, 16 anos. Para quem conhece as concepções dos miúdos sobre electricidade esta explicação é uma das típicas e não espanta nada. (*) O problema foi não termos conseguido trabalhar até ao fim esta concepção e tentar "resolvê-la". Como muitas vezes acontece, os miúdos só conseguem estar envolvidos durante curtíssimos intervalos de tempo. Alguns "zarpam" quando menos se espera e as coisas ficam a meio. Foi o que aconteceu neste caso, com muita pena minha. Mas esta é apenas uma das circunstâncias a que já me vou habituando. (*) Se quiserem conhecer mais concepções sobre este e outros temas de ciência, consultem este livro, disponível, por exemplo, na biblioteca do Centro de Investigação em Educação da FCUL: Driver, R. (1994). Making sense of secondary science: Research into children's ideas (1.ª ed.). London: Routledge Falmer

16 novembro 2005

O importante é criar desafios

O importante é criar desafios! Esta tem de ser a forma de trabalhar e de preparar as próximas actividades do clube. De facto já estava a sentir alguma insatisfação com o que estávamos a fazer ou pelo menos com a forma como as actividades estavam a ser colocadas aos miúdos. Eram demasiado passo a passo, quase receita, sem muita margem para imaginar, inventar e criar. A forma tem de ser outra. Mais à base de questões e respostas a desafios mesmo que essas "respostas" sejam novas questões. Acabámos por não construir o electroíman. É que no livro de onde retirámos a proposta de construção havia imagens e uma delas mostrava que o electroíman iria atrair clips, ora isso já nós tínhamos feito mas usando um íman. Uma das miúdas disse logo que aquilo já sabia e por isso não valia a pena fazer. Claro que ela não deu conta das diferenças entre um íman e um electroíman mas isso irei mostrar numa outra oportunidade, se calhar depois de eu construir o enrolamento e questionando as semelhanças e as diferenças entre aquele dispositivo e um íman. Acabámos então por nos divertirmos com os motores, os fios, as lâmpadas e duas pilhas que entretanto o Toni arranjou. E foi giro vê-los a montar circuitos eléctricos simples. Foi também interessante desafiá-los a conseguir acender uma lâmpada usando apenas um fio e uma pilha. Não é uma coisa nada óbvia para miúdos daquela idade e as tentativas foram muitas até alguém conseguir! Como tínhamos motorzinhos, pensámos usá-los para pôr a rodar um disco pintado com as sete cores do arco-íris e ver o que acontecia (em nautilus.fis.uc.pt, existe um exemplo). Construímos um disco em cartolina e recortámos em papel de lustro das várias cores alguns triângulos cada um de sua côr para preencher a área do círculo com as sete cores. Não chegámos a terminar e houve alguém que sugeriu que se pintasse em vez de usar o papel de lustro. Ficou o projecto. Talvez para continuar... A Susana que entretanto estava muito preocupada com a matemática foi escrever no blog um longo texto sobre as suas angústias. Foi giro e ao mesmo tempo assustador. Não vale a pena explicar muito porquê basta ver o texto e ler.